quarta-feira, 28 de julho de 2010

A Fome no Mundo

É verdade!

Em pleno século XXI existem mais de mil milhões de pessoas que vivem em fome crónica.

É verdade!

Em pleno século XXI existem pessoas que morrem de fome... e não são apenas alguns... estima-se que morre de fome, um ser humano a cada 3,5 segundos, são 25.000 pessoas por dia.

Parece mentira, mas infelizmente não é!

Assina esta petição.

http://www.1billionhungry.org/fernandosousa/




domingo, 21 de fevereiro de 2010

SAÚDE PARA TODOS os que podem pagar.

Na área da saúde, são cada vez mais as descobertas que contribuem para o bem-estar das pessoas, somos levados a acreditar que todas as doenças podem vir a ter cura, mas na realidade o que acontece é que só são curadas as pessoas que podem pagar pela sua terapia, e só vão ter cura as doenças que possam ser lucrativas para algumas empresas e para alguns governos. Pois é! Se as doenças que surgem parecem ter um elevado potencial para serem lucrativas, provavelmente se encontrara rapidamente uma cura e uma profilaxia, mas se por outro lado as populações que são dizimadas por epidemias não puderem pagar, então estamos perante uma cura muito difícil que demorara provavelmente dezenas de anos a encontrar.

Levando esta análise um pouco mais longe, será que podemos falar em elevados lucros com potencial de doença em vez de falar em doenças com elevado potencial de lucro? Estaríamos a falar de uma inversão total dos princípios médicos e farmacêuticos, de uma sobreposição dos interesses económicos aos mais elementares interesses humanos.

Falando de uma forma meramente hipotética, imaginemos que existem pessoas ocupando cargos de relevo, que entendem a saúde apenas como um negócio, imaginemos que essas pessoas, pressionadas por uma ambição desmedida sentem uma necessidade de superarem cada vez mais os já extraordinários lucros que alcançam e para o conseguir resolvem inverter a ordem natural das coisas e em vez de procurar uma cura para uma das inúmeras doenças que existem, decidem criar uma doença, coloca-la em circulação, convencer as pessoas que a doença é muito grave e que poderá afectar uma percentagem elevadíssima da população mundial e logo de seguida regalar-se com os resultados do seu acto, assistindo a uma louca corrida dos governos mundiais à compra das vacinas que com muita dedicação conseguiram desenvolver num tempo extraordinariamente curto, não sei o que pensam mas a mim parece-me uma estratégia de negócio que muito provavelmente daria certo, não?

Déjà vu?

Confesso que já não sei se ainda haverá algo que pareça inacreditável, neste mundo. Há quem chame a isto evolução, eu chamo declínio.

segunda-feira, 7 de dezembro de 2009

A Vida em Sociedade, Evolução e Futuro

Viver em sociedade é algo comum a praticamente todos os seres humanos, assume-se que o Ser Humano é um ser social, e esta assumpção baseia-se na constatação do que as sucessivas civilizações têm feito para sobreviver e prosperar, e ainda em numerosos estudos que tem demonstrado essa faceta marcadamente social do Homem.

Outra característica que o homem tem evidenciado é a sua necessidade de evolução, sem a qual ainda viveríamos na idade da pedra, esta necessidade de evolução aliada à inteligência do Ser Humano contribuíram para a sua clara distinção face às outras espécies que com ele coabitam neste planeta.

Mas distinção não implica necessariamente superioridade, embora o Ser Humano seja tido como um ser superior, a verdade é que as suas atitudes demonstram, no meu ponto de vista, uma clara inferioridade, pois sendo o único ser vivo com capacidade para agir significativamente sobre o meio ambiente, usa essa sua exclusiva dotação para destruir o que a mãe natureza tão habilmente criou, hipotecando o futuro das gerações vindouras.

Na teoria estas alterações têm como intuito a melhoria das suas condições de vida, porem não deixa de ser verdade que estes proveitos chegam apenas a uma porção da população mundial, enquanto que a restante, juntamente com grande parte dos demais seres vivos, acabam prejudicados pela sede evolutiva do Homem. O mais preocupante é que esta situação tende claramente a piorar, enquanto muito se fala e pouco se faz para inverter a dramática situação, de desequilíbrio, em que o mundo se encontra.

Para muitos, parece ser absolutamente indiferente o futuro que os outros seres vivos e o planeta possam ter, importando apenas um presente cheio de egoísmo e ambição.

As questões ambientais e humanitárias estão na ordem do dia, e é já praticamente obrigatório agir de forma social e ecologicamente sustentável, mas atenção! desde que essa atitude não ponha em causa a obtenção de lucro das empresas e dos governos, pois quando tal acontece, a ânsia do lucro fala mais alto e estes nobres pensamentos, passam a ser apenas uma ficção.

Pois é! Se pararmos um pouco para observar a evolução das sociedades e do nosso mundo em geral, tristemente constataremos que a ficção parece ser a única forma que nos resta de falarmos de um futuro, com uma coabitação harmoniosa de todos os seres vivos, neste nosso planeta.

BASTA! Temos que gritar!

Não um grito mudo, mas sim GRITAR BEM ALTO E AGIR para que possamos falar do futuro acreditando que realmente existirá, e que superará pela positiva o presente.

quarta-feira, 21 de janeiro de 2009

E se Obama fosse africano? (Texto de Mia Couto)

Os africanos rejubilaram com a vitória de Obama. Eu fui um deles. Depois de uma noite em claro, na irrealidade da penumbra da madrugada, as lágrimas corriam-me quando ele pronunciou o discurso de vencedor. Nesse momento, eu era também um vencedor. A mesma felicidade me atravessara quando Nelson Mandela foi libertado e o novo estadista sul-africano consolidava um caminho de dignificação de África.

Na noite de 5 de Novembro, o novo presidente norte-americano não era apenas um homem que falava. Era a sufocada voz da esperança que se reerguia, liberta, dentro de nós. Meu coração tinha votado, mesmo sem permissão: habituado a pedir pouco, eu festejava uma vitória sem dimensões. Ao sair à rua, a minha cidade se havia deslocado para Chicago, negros e brancos respirando comungando de uma mesma surpresa feliz. Porque a vitória de Obama não foi a de uma raça sobre outra: sem a participação massiva dos americanos de todas as raças (incluindo a da maioria branca) os Estados Unidos da América não nos entregariam motivo para festejarmos.

Nos dias seguintes, fui colhendo as reacções eufóricas dos mais diversos recantos do nosso continente. Pessoas anónimas, cidadãos comuns querem testemunhar a sua felicidade. Ao mesmo tempo fui tomando nota, com algumas reservas, das mensagens solidárias de dirigentes africanos. Quase todos chamavam Obama de "nosso irmão". E pensei: estarão todos esses dirigentes sendo sinceros? Será Barack Obama familiar de tanta gente politicamente tão diversa? Tenho dúvidas. Na pressa de ver preconceitos somente nos outros, não somos capazes de ver os nossos próprios racismos e xenofobias. Na pressa de condenar o Ocidente, esquecemo-nos de aceitar as lições que nos chegam desse outro lado do mundo.

Foi então que me chegou às mãos um texto de um escritor camaronês, Patrice Nganang, intitulado: "E se Obama fosse camaronês?". As questões que o meu colega dos Camarões levantava sugeriram-me perguntas diversas, formuladas agora em redor da seguinte hipótese: e se Obama fosse africano e concorresse à presidência num país africano? São estas perguntas que gostaria de explorar neste texto.

E se Obama fosse africano e candidato a uma presidência africana?

1. Se Obama fosse africano, um seu concorrente (um qualquer George Bush das Áfricas) inventaria mudanças na Constituição para prolongar o seu mandato para além do previsto. E o nosso Obama teria que esperar mais uns anos para voltar a candidatar-se. A espera poderia ser longa, se tomarmos em conta a permanência de um mesmo presidente no poder em África. Uns 41 anos no Gabão, 39 na Líbia, 28 no Zimbabwe, 28 na Guiné Equatorial, 28 em Angola, 27 no Egipto, 26 nos Camarões. E por aí fora, perfazendo uma quinzena de presidentes que governam há mais de 20 anos consecutivos no continente. Mugabe terá 90 anos quando terminar o mandato para o qual se impôs acima do veredicto popular.

2. Se Obama fosse africano, o mais provável era que, sendo um candidato do partido da oposição, não teria espaço para fazer campanha. Far-Ihe-iam como, por exemplo, no Zimbabwe ou nos Camarões: seria agredido fisicamente, seria preso consecutivamente, ser-Ihe-ia retirado o passaporte. Os Bushs de África não toleram opositores, não toleram a democracia.

3. Se Obama fosse africano, não seria sequer elegível em grande parte dos países porque as elites no poder inventaram leis restritivas que fecham as portas da presidência a filhos de estrangeiros e a descendentes de imigrantes. O nacionalista zambiano Kenneth Kaunda está sendo questionado, no seu próprio país, como filho de malawianos. Convenientemente "descobriram" que o homem que conduziu a Zâmbia à independência e governou por mais de 25 anos era, afinal, filho de malawianos e durante todo esse tempo tinha governado 'ilegalmente". Preso por alegadas intenções golpistas, o nosso Kenneth Kaunda (que dá nome a uma das mais nobres avenidas de Maputo) será interdito de fazer política e assim, o regime vigente, se verá livre de um opositor.

4. Sejamos claros: Obama é negro nos Estados Unidos. Em África ele é mulato. Se Obama fosse africano, veria a sua raça atirada contra o seu próprio rosto. Não que a cor da pele fosse importante para os povos que esperam ver nos seus líderes competência e trabalho sério. Mas as elites predadoras fariam campanha contra alguém que designariam por um "não autêntico africano". O mesmo irmão negro que hoje é saudado como novo Presidente americano seria vilipendiado em casa como sendo representante dos "outros", dos de outra raça, de outra bandeira (ou de nenhuma bandeira?).

5. Se fosse africano, o nosso "irmão" teria que dar muita explicação aos moralistas de serviço quando pensasse em incluir no discurso de agradecimento o apoio que recebeu dos homossexuais. Pecado mortal para os advogados da chamada "pureza africana". Para estes moralistas – tantas vezes no poder, tantas vezes com poder - a homossexualidade é um inaceitável vício mortal que é exterior a África e aos africanos.

6. Se ganhasse as eleições, Obama teria provavelmente que sentar-se à mesa de negociações e partilhar o poder com o derrotado, num processo negocial degradante que mostra que, em certos países africanos, o perdedor pode negociar aquilo que parece sagrado - a vontade do povo expressa nos votos. Nesta altura, estaria Barack Obama sentado numa mesa com um qualquer Bush em infinitas rondas negociais com mediadores africanos que nos ensinam que nos devemos contentar com as migalhas dos processos eleitorais que não correm a favor dos ditadores.

Inconclusivas conclusões

Fique claro: existem excepções neste quadro generalista. Sabemos todos de que excepções estamos falando e nós mesmos moçambicanos, fomos capazes de construir uma dessas condições à parte.

Fique igualmente claro: todos estes entraves a um Obama africano não seriam impostos pelo povo, mas pelos donos do poder, por elites que fazem da governação fonte de enriquecimento sem escrúpulos.

A verdade é que Obama não é africano. A verdade é que os africanos - as pessoas simples e os trabalhadores anónimos - festejaram com toda a alma a vitória americana de Obama. Mas não creio que os ditadores e corruptos de África tenham o direito de se fazerem convidados para esta festa.

Porque a alegria que milhões de africanos experimentaram no dia 5 de Novembro nascia de eles investirem em Obama exactamente o oposto daquilo que conheciam da sua experiência com os seus próprios dirigentes. Por muito que nos custe admitir, apenas uma minoria de estados africanos conhecem ou conheceram dirigentes preocupados com o bem público.

No mesmo dia em que Obama confirmava a condição de vencedor, os noticiários internacionais abarrotavam de notícias terríveis sobre África. No mesmo dia da vitória da maioria norte-americana, África continuava sendo derrotada por guerras, má gestão, ambição desmesurada de políticos gananciosos. Depois de terem morto a democracia, esses políticos estão matando a própria política. Resta a guerra, em alguns casos. Outros, a desistência e o cinismo.

Só há um modo verdadeiro de celebrar Obama nos países africanos: é lutar para que mais bandeiras de esperança possam nascer aqui, no nosso continente. É lutar para que Obamas africanos possam também vencer. E nós, africanos de todas as etnias e raças, vencermos com esses Obamas e celebrarmos em nossa casa aquilo que agora festejamos em casa alheia.

sexta-feira, 21 de novembro de 2008

O Sonho

Hoje tive um sonho, e como tantos outros sonhos, era um misto de ficção e realidade, onde os dois mundos se misturam, como se de um quadro surrealista se tratasse; mas este sonho, não foi apenas mais um, pois se fosse, provavelmente dele não me recordaria, mas sim! deste recordo-me.

Eu pilotava um helicóptero - era uma daquelas máquinas de guerra Americanas, que dão pelo nome de Apache, um brinquedo de 25.000.000€ que concentra, em apenas poucos metros quadrados de metal, todo o saber e engenho tecnológico do Homem, é uma espécie de super-potência voadora, que foi utilizada pela primeira vez pelo exercito Americano em 1989 na intervenção militar, no Panamá, para depor o então Presidente Noriega, (Não! o Panamá não é um estado dos EUA, é mesmo um País... Sim! Os Americanos estavam lá.) sendo posteriormente usados (277 deles), na guerra do Golfo em 1991, para bombardear "algo", algures no deserto - Era uma daquelas extraordinárias máquinas de guerra que tinha nas minhas mãos, mas em vez daquela tonalidade verde camuflada, era de cor branca.

Os rostos iam alternando, no lugar do co-piloto, e por lá passaram muitos dos meus amigos, colegas, conhecidos e muitos anónimos, senti que não estava só!
Voávamos a 260km/h, junto a um Rio, quando de repente avistamos uma aldeia, tipicamente Africana, de imediato toda a tecnologia foi posta ao nosso serviço, e em fracções de segundo o radar identificou mais de 1000 alvos potenciais, classificando e mostrando no ecrã 128 deles, marcando como prioritários 16, pedindo ordem de disparo, o que prontamente fizemos... ... Em apenas alguns minutos o Apache tinha descarregado o seu impressionante arsenal, composto por 1200 granadas de 30mm, umas dezenas de foguetes de 70mm e alguns implacáveis misseis, guiados por lazer. A população da aldeia corria desalmadamente, Homens, Mulheres e Crianças, muitos deles em frágeis condições de vida, corriam... Mas surpreendentemente corriam em direcção ao bombardeamento, corriam em direcção à vida, pois este imponente arsenal, que ao chegar ao solo se tornava escasso, era composto por alimentos, água e medicamentos. Esta potente máquina de guerra era afinal uma singela máquina Humanitária.

Trrrriiiiiiiiim.....
O despertador tocou... de volta à realidade... terá sido um sonho?... ou talvez um devaneio?

sábado, 15 de novembro de 2008

"Mundo Ideal"-"Meu"

Afinal o que é isso do Mundo ideal?

Se pedirmos a 1000 pessoas "descreva o Mundo Ideal", muito provavelmente obteremos 1000 respostas diferentes, no entanto em muitas dessas respostas existirá um factor comum, pois embora o pedido fosse "descreva o Mundo Ideal", muitos responderiam à pergunta "descreva o seu Mundo Ideal"; este vocábulo "meu", implícito na forma de compreender a questão, condiciona profundamente o pensamento do ser humano ao ponto de esquecer, por vezes, que caminha lado a lado com os demais seres, Humanos e não só.

Este egoísmo (atenção! não digo que dele não padeça) manifesta-se das mais variadas formas e com os mais variados impactos na nossa sociedade. Não devemos esquecer que o Homem é por natureza, um ser social, desde o nascimento até a morte, dependemos de, convivemos com e somos ajudados por - outros seres, mas por vezes ignoramos, desprezamos e maltratamos aqueles que dependem de, querem conviver com e necessitam da ajuda de - todos nós. Certamente que alguns, já vivemos a sensação de dar quando alguém precisa de nós sem a desejada reciprocidade. Esta situação não se circunscreve à interacção entre seres Humanos, pois a relação com outros Seres Vivos e mesmo com o Planeta é igualmente subjugada a este tipo de comportamento.

A materialização deste egoísmo é por demais visível, do carro estacionado no passeio fazendo peões arriscar a sua vida, até à "fabricação" de uma guerra com o vil propósito de vender armamento, passando pela extinção de uma raça de Tigres porque a suas peles fazem um bonito adorno; tudo isto são apenas pequenas mostras do que o egoísmo do Homem é capaz de fazer. Mas ironicamente estas acções são empreendidas com o nobre propósito de encontrar o Mundo Ideal... Melhor! Encontrar o seu Mundo Ideal .

Mas afinal o que é isso do Mundo Ideal? Será que existe? Ou tratar-se-á de uma mera utopia? Seremos capazes de defini-lo?... Pode ser que o Mundo Ideal não exista, mas certamente que se cada um de nós conseguir pensar "Mundo Ideal" sem pensar "meu Mundo Ideal" estaremos mais próximos do que nunca de conseguirmos transformar essa utopia numa prospera realidade.

Talvez seja mais simples do que parece, uma espécie de ovo de Colombo, e a diferença esteja apenas em três letras "meu".

domingo, 2 de novembro de 2008

A evolução Social, Económica e Tecnológica do Sec. XXI

4,5 mil Milhões de anos passaram desde o nascimento do nosso planeta, e teoricamente a evolução não parou até aos nossos dias. O Homem assumiu nas suas mãos o controlo do mundo e desde então tem ousado explorar todos os recursos possiveis para tornar a sua vida cada vez melhor. De modo que chegamos ao século XXI, em plena era tecnológica, rodeados de tudo o que necessitamos (e não só), mas cada vez mais vazios de princípios e de valores.

Numa era onde o homem é capaz de desafiar todos os princípios, superando-se a si mesmo; torna-se simultaneamente criador e carrasco, chamando a si um poder que outrora estaria reservado a uma Entidade Divina.

Mas quando é que este ser "inteligente" que controla o mundo, será capaz de olhar para o lado real da sua obra? sem filtros, sem sombras, perante a luz clara desse sol que nos ilumina, e ver, que afinal este mundo perfeito em que pensa viver, este Paraíso que pensa estar a construir, não passa de um frágil balão de ar que segue a corrente sem um rumo definido, deixando para trás uma realidade bem mais crua, bem mais violenta e bem mais digna de um Inferno do que de um Paraíso.

Evoluir é muito mais do que saber estar, é sobretudo saber ser.